DATAS INFANTO-AFETIVAS E VUNERABILIDADE EMOCIONAL
OS IMPACTOS PSICOLOGICOS DA AUSÊNCIA PARENTAL NA SOCIEDADE
Palavras-chave:
Infância, Ausência parental, Datas Comemorativas, ConsumoResumo
O presente estudo analisa, sob uma perspectiva interdisciplinar, os impactos psicossociais e éticos das datas comemorativas de cunho infanto-afetivo sobre crianças que vivenciam a ausência ou a fragilidade de vínculos parentais. A investigação parte da premissa de que o calendário festivo ocidental foi capturado por uma lógica de mercado que instrumentaliza o afeto, convertendo celebrações comunitárias em dispositivos de pressão consumista. O objetivo central é investigar como a publicitação de modelos familiares idealizados, pautados em núcleos biológicos e heteronormativos, atua como um potente gatilho de vulnerabilidade emocional e exclusão simbólica para sujeitos em situações de acolhimento, adoção ou configurações familiares diversas. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo de natureza bibliográfica, ancorando-se na Teoria do Apego de John Bowlby, na análise da Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman e na sociologia da infância de Philippe Ariès. Os resultados apontam que a mercantilização do sentimento gera um abismo identitário na criança ao confrontar a sua realidade concreta com o "ideal" inalcançável das campanhas publicitárias. Conclui-se que o enfrentamento dessa problemática exige das instituições educativas e eclesiais um reposicionamento profético e inclusivo, capaz de desconstruir o apelo midiático e promover uma pedagogia da acolhida que ressignifique as celebrações à luz da pluralidade e da dignidade humana.
