NARCOPENTECOSTALISMO
QUANDO A RELIGIÃO RETROALIMENTA CICLOS DE VIOLÊNCIA
Palavras-chave:
Narcopentecostalismo, Religião e violência, Teologia pública, Igreja como sociedade alternativa, EucaristiaResumo
O presente artigo analisa o fenômeno denominado narcopentecostalismo, compreendido como a intersecção entre práticas religiosas neopentecostais e as dinâmicas de violência presentes em contextos periféricos brasileiros. O objetivo central consiste em avaliar de que modo a religião pode tanto oferecer alternativas ao crime quanto retroalimentar ciclos de violência. A investigação articula as obras Traficantes evangélicos (Costa, 2023) e A fé e o fuzil (Manso, 2023) com estudos teóricos sobre religião e violência — The Myth of Religious Violence (Cavanaugh, 2009) e Terror in the Name of God (Stern, 2024) — e com teologias que apresentam a Igreja como sociedade alternativa não violenta — Resident Aliens (Hauerwas & Willimon, 1989) e The Peaceable Kingdom (Hauerwas, 2003). Metodologicamente, a pesquisa desenvolve-se por meio de análise bibliográfica crítica, com ênfase em contrastes teológicos e sociológicos. O texto estrutura-se em cinco eixos: a descrição e contextualização histórica do fenômeno pentecostal e neopentecostal; a análise da relação entre religião e violência com base na desconstrução do mito moderno da violência religiosa; a descrição do narcopentecostalismo e da cooptação do universo simbólico cristão pelo crime organizado; a apresentação da Igreja cristã como alternativa não violenta a partir de uma eclesiologia de resistência; e a reflexão eucarística como prática simbólica capaz de reconfigurar o imaginário moral comunitário. Conclui-se que religião e violência não são intrinsecamente relacionadas; ao contrário, a tradição cristã, quando fiel ao Evangelho e à prática sacramental, sustenta uma cultura de paz e reconciliação e constitui-se como sociedade alternativa capaz de contribuir para o enfraquecimento dos ciclos de violência nas periferias urbanas brasileiras.
